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A EM é uma doença crónica, o que quer dizer que dura uma vida e que ainda não tem cura. Mas existe tratamento, tanto a nível terapêutico como de reabilitação. Segue-se uma descrição das formas de tratamento mais comuns.

 

(Em actualização)

 

 

 

Corticosteróides

 

 

Os corticosteróides, substâncias relacionadas com as hormonas produzidas pelas glândulas supra-renais, são usadas há muito tempo como tratamento importante para encurtar a duração dos surtos de EM. Os corticosteróides são conhecidos pela sua capacidade de combater a inflamação. Não têm, contudo, qualquer efeito na progressão da EM, mas reduzem a duração de um surto: diminuem o tempo necessário até à recuperação. Os corticosteróides podem ser administrados de vários modos. Habitualmente, é usada uma perfusão venosa (o medicamento entra directamente na corrente sanguínea) para administrar o corticosteróide conhecido como metilprednisolona. Geralmente o tratamento dura três a cinco dias. O uso prolongado de corticosteróides (i.e., durante meses seguidos) pode provocar efeitos secundários.
Os efeitos produzidos pelos corticosteróides são mais notórios durante um surto de EM que se estabeleceu num curto intervalo de tempo – em poucos dias.
O efeito nos sintomas que afectam a força muscular ou nos que afectam a visão é frequentemente melhor do que nos casos de sintomas que afectam o sentido do tacto ou do equilíbrio.
Nem todos os surtos de EM são tratados com corticosteróides. Os surtos menos graves não são habitualmente tratados: o doente apenas repousa e aguarda a melhoria espontânea.
Para além do descanso e do uso de corticosteróides, algumas descobertas recentes provaram que certas substâncias têm a capacidade de prevenir surtos ou reduzir a sua gravidade.
Estas substâncias são sumariamente descritas seguidamente.

 

 

 

 

 

Interferões
Os Interferões são proteínas libertadas pelo corpo quando ocorre uma inflamação e que podem reduzir ou estimular a inflamação. Existem três grupos de Interferões: alfa, beta e gama. Os Interferões beta parecem ser os melhores para reduzir a actividade inflamatória na EM. Existem dois tipos de Interferões beta: o Interferão beta-1a e o Interferão beta-1b. Até à data ainda não se realizaram estudos comparativos da eficácia destes dois tipos de Interferões, mas ambos parecem reduzir o risco de ocorrência de surtos na EM em cerca de 30 por cento. A gravidade dos surtos é menor e os danos na substância branca, observados em ressonância magnética, são também reduzidos.
Os estudos efectuados com o Interferão beta-1a mostram também que existe um efeito benéfico na progressão da incapacidade: a sua diminuição.
Ambos os tipos de interferão devem ser administrados por injecção.
O Interferão beta-1b foi testado em doses administradas em dias alternados sob a pele (injecção subcutânea). O Interferão beta-1a foi testado de duas formas: injecção semanal no tecido muscular (intramuscular) ou três vezes por semana de forma subcutânea. Se o médico assistente entender apropriado, as injecções podem ser aplicadas pelo próprio doente ou por algum familiar que tenha recebido formação para o efeito.
Os efeitos secundários produzidos pelos Interferões beta podem dividir-se em efeitos locais (que se produzem no local onde a injecção é administrada) e em efeitos secundários sistémicos. No local da injecção, a pele pode reagir (com vermelhidão e/ou edema). As injecções intramusculares uma vez por semana provocam menos efeitos secundários locais. Os efeitos secundários locais às injecções subcutâneas desaparecem na maior parte das pessoas (mas não em todas) após algum tempo. Os efeitos secundários sistémicos com Interferão têm características semelhantes à gripe – arrepios, dores musculares, dores articulares. Este tipo de reacção ocorre normalmente nas primeiras horas após a injecção, ou nas primeiras semanas ou meses depois do início do tratamento.
O seu médico pode aconselhá-lo a tomar alguns medicamentos para a febre e dores. Se for tomado paracetamol ou algum medicamento similar (aspirina ou ibuprofeno) concomitantemente com a administração das injecções de Interferão, estas reacções semelhantes à gripe podem ser evitadas. Administrar a injecção ao fim do dia pode igualmente ajudar a evitar os sintomas de tipo gripal que ocorrem durante o dia.

 

 

Existem algumas diferenças entre os vários tipos de Interferão beta disponíveis: alguns devem ser armazenados a determinadas temperaturas (entre 8 e 15 graus Celsius). Na maior parte dos países europeus estão já registados os três tipos de Interferão beta e podem ser prescritos através do seu neurologista.

 

 

 

 

 

Copolímero1 (glatiramer acetate ou COP-1)
Foi demonstrado que outra substância, o Copolímero 1, actua como o Interferão beta, protegendo os doentes da ocorrência de surtos. A gravidade dos surtos também é reduzida. O Copolímero 1 é uma proteína artificial que deve ser injectada por via subcutânea, diariamente. Estão em curso estudos sobre o efeito do Copolímero 1 nas lesões da substância branca avaliada por ressonância magnética. Na maior parte dos países europeus, o Copolímero 1 ainda não está registado e não está disponível, mas está registado e pode ser obtido nos Estados Unidos.

 

 

Tratamento das formas mais progressivas de EM
Existem menos meios para tratar as formas mais progressivas de EM.
Nos casos em que há progressão gradual da doença, tem-se tentado avaliar se o tratamento mensal com metilprednisolona (um corticosteróide) é eficaz. Não foi ainda provado cientificamente qualquer benefício conseguido com este tratamento. Usam-se, por vezes, para tentar evitar a progressão da EM, medicamentos que em doses mais elevadas são utilizados para combater o cancro: estes são conhecidos como citostáticos, tais como a azatioprina, metotrexato e ciclofosfamida. São utilizados no tratamento da EM em doses mais baixas do que as usadas no tratamento do cancro. Caso os esteja a usar, o seu médico pode necessitar que faça exames regulares ao fígado e ao sangue, uma vez que estes fármacos podem causar alterações no sangue e na função hepática.
Uma nova descoberta poderá se encorajadora: está a ser estudado o efeito do Interferão beta na EM progressiva secundária. O Interferão beta 1b tem efeito benéfico na progressão desta forma de doença. Contudo, ainda não foram realizadas experiências suficientes com o interferão beta na EM progressiva primária.

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